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14 Sep 2026, 16:17 GMT EBC

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) é apoiadora institucional da primeira edição do Women’s International Football Summit (WIFS), evento dedicado ao desenvolvimento, à profissionalização e ao fortalecimento da indústria do futebol feminino no Brasil. O encontro acontece nesta segunda-feira (14) e terça-feira (15), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (RJ). A participação da EBC reforça a atuação da TV Brasil como a tela do futebol feminino, com a presença da diretora-presidente da empresa, Antonia Pellegrino; da jornalista Marília Arrigoni; e da comentarista Rachel Motta como painelistas da programação. No evento também será divulgado o Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas , iniciativa criada para reconhecer atletas, treinadoras, equipes técnicas, gestoras e clubes que se destacam na modalidade. Notícias relacionadas: Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas abre votação popular para craque. Seleção feminina de futebol é convocada para a Copa do Mundo sub-20. MEC aprova regras para as férias escolares na Copa do Mundo Feminina. Nesta segunda-feira (14), a jornalista Marília Arrigoni, da TV Brasil , participou do painel “Futebol feminino entre gerações: experiências, conquistas e novos horizontes”. Integram a mesa a moderadora Marion Konczyk Kaplan, presidente da Bancada Feminina do Flamengo; Renata Armiliato, gerente de Futebol Feminino do Internacional; e as ex-jogadoras Pelézinha e Danda. Na terça-feira (15), às 14h30, a diretora-presidente da EBC , Antonia Pellegrino, modera o painel “Comunicação do futebol feminino em transformação: novos formatos, plataformas e narrativas”. A mesa terá a participação de Suleima Sena, fundadora do Donas FC; Rachel Motta, jornalista esportiva e comentarista da TV Brasil ; Daniela Grelin, diretora-executiva da NO MORE Foundation; e da fotojornalista esportiva brasileira Lívia Villas Boas. “O convite para a TV Brasil participar de dois painéis temáticos tão importantes está em consonância com o papel que a emissora vem assumindo como a tela do futebol feminino nos últimos anos. Estamos nesse debate como uma televisão pública que transmite a modalidade, que ajuda a ampliar sua presença no cotidiano do público e que entende a comunicação como parte essencial da valorização das atletas, dos clubes e das histórias que movem esse universo”, afirma Antonia Pellegrino. “Às vésperas da Copa do Mundo Feminina de 2027, esse compromisso ganha ainda mais força. A TV Brasil tem trabalhado para ampliar as transmissões, fortalecer parcerias com o setor esportivo e desenvolver iniciativas como o Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas , que reconhece o futebol feminino em sua dimensão mais ampla: esportiva, cultural, econômica e social. Queremos contribuir para que essa visibilidade se transforme em legado”, acrescenta Pellegrino, destacando que o Brasil será a sede da próxima Copa do Mundo Feminina da FIFA. Sobre o evento O Womens International Football Summit surge com a proposta de se consolidar como um ponto de encontro estratégico para os principais profissionais do setor, com formato B2B (Business to Business) e voltado à geração de negócios, à construção de parcerias e à capacitação de profissionais que atuam direta ou indiretamente na modalidade. Ao longo dos dois dias de programação, os participantes terão acesso a uma imersão em conteúdos, tendências, desafios e oportunidades que impactam o presente e o futuro do futebol feminino. O evento também será um espaço privilegiado para networking, troca de experiências e construção de conexões entre diferentes agentes do ecossistema do futebol feminino. Clubes, federações, atletas, patrocinadores, agências, empresas, investidores, profissionais de marketing, comunicação e gestão esportiva, além de outros representantes do mercado, poderão compartilhar experiências, discutir soluções e impulsionar novas oportunidades para o desenvolvimento sustentável do setor. A organização é da Confut, plataforma global de negócios voltado ao futebol.

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14 Sep 2026, 10:25 GMT Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil

Segunda-feira, 14 de setembro. Neste mesmo dia, em 1981, a jornalista Mara Régia di Perna, de 30 anos de idade, estava ansiosa e com o “coração descompassado”. Seria âncora pela primeira vez em um programa que criou e com que sonhou, voltado aos direitos sociais das mulheres, o Viva Maria , da Rádio Nacional . “Eu estava em uma tremedeira e rouca. Sabia da responsabilidade que iria significar”, relembra a radialista, 45 anos depois. Notícias relacionadas: Voz das mulheres da floresta, Mara Régia é convidada do DR com Demori. Jornalista da EBC, Mara Régia é indicada ao Prêmio Mulher Imprensa. “O rádio é o ar que eu respiro”, diz a jornalista Mara Régia à TV Brasil . A Rádio Nacional , da Empresa Brasil de Comunicação , exibe a partir de hoje uma série de 14 podcasts com a incrível história do programa que se tornou referência internacional de informação sobre cidadania, gênero e direitos humanos. Nesses 45 anos, foram veiculadas 8,2 mil edições pelas emissoras da EBC. Pesquisa acadêmica Os resultados do programa atraíram também a atenção de pesquisadores de pós-graduação. Há pelo menos 30 estudos sobre o Viva Maria. “O programa nasceu em uma década decisiva para a cidadania das mulheres do Brasil, particularmente com a promulgação da Constituição”, explica Mara. Inclusive, ela participou da divulgação da Carta das Mulheres aos Constituintes – documento histórico entregue em 27 de março de 1987 com reivindicações dos movimentos feministas brasileiros por direitos civis, políticos e sociais. “Toda essa articulação feita através do Fórum das Mulheres do Distrito Federal nasceu no auditório da Rádio Nacional com a força do Viva Maria”, recorda. Ela lembra decorado o anúncio do programa: “Quando entrar setembro, as Marias haverão de consolidar seu espaço na comunicação brasileira através de um programa que chega para fazer com que você seja ouvida nas suas reivindicações”. Busca de direitos Mercado de trabalho para mulheres, direitos sociais, saúde, educação. Os temas eram variados e passaram a ganhar repercussão de acordo com a participação dos ouvintes, sobretudo, das ouvintes, por telefone ou cartas. Aos poucos, o tema do enfrentamento à violência contra a mulher passou a ocupar espaço especial no programa. Uma inspiração surgiu da própria história de vida. A mãe de Mara, Yolanda, foi vítima de violência doméstica nas mãos do pai, que era dependente de álcool. Isso revoltava a jornalista, que nasceu e se criou no Rio de Janeiro. Na vida adulta, a radialista mudou-se para Brasília, onde cursou jornalismo e publicidade. Ela chegou a morar dois anos em Londres (Inglaterra) onde também buscou aperfeiçoamento nas temáticas relacionadas a gênero. “Pensei que deveria fazer algo para as mulheres não sofrerem o que minha mãe estava sofrendo.” Enfrentar a violência As pressões vindas do Viva Maria no dia a dia foram fundamentais para implementação da primeira delegacia especial de atendimento à mulher em Brasília, em 1986. “Nosso trabalho na rádio ficou reconhecido como um espaço de cidadania.” No entanto, Mara passou a receber ameaças por telefonemas e passou a ser protegida pela polícia local. Ela organizou para que os dois filhos morassem, por um tempo, com familiares de fora da capital. “Nunca pensei em desistir. Eu tinha que conseguir construir as políticas. Quando você abraça o seu destino, não pode traí-lo.” Mais do que personagens Ela ganhou a confiança de mulheres pelo Brasil inteiro. Mulheres entrevistadas transformaram-se em agentes do programa, multiplicadoras de histórias e esperança. Pediam estradas, melhores infraestruturas para escolas, trabalho e cidadania. Mara Régia chama as mulheres participantes e entrevistadas de “Marias”. Contatos empolgados por telefone, cartas manuscritas e caixas de e-mail lotadas fazem parte dessa troca entre equipe da rádio e as pessoas, principalmente mulheres, ouvintes assíduas. Além do reconhecimento do público, o programa Viva Maria enfileira mais de 30 prêmios nacionais e internacionais conferidos pela crítica especializada. Missão de vida Rosinete destaca importância do Viva Maria em sua vida. Foto: Maycom Gomes Amor e devoção ao trabalho fizeram com que Mara Régia definisse o programa como uma missão de vida. Mais do que um serviço, cuidar do Viva Maria e das “Marias” transformou-se na dimensão de luta da jornalista. Um exemplo dessa determinação foi o caso do Amapá, onde Mara fez campanha para ajudar com perucas as vítimas de escalpelamento. Ao ter a história revelada pelo programa Viva Maria, a professora Rosinete Serrão – vítima desse tipo de acidente com motores de embarcações – passou a ser uma voz para contar as histórias e mobilizar associações e pessoas. "Não só descobrimos que existiam outras mulheres, como também, ao ser entrevistada pelo Viva Maria, passamos a inspirar mulheres a não pararem diante do acidente”, afirma a professora. Depois de conseguir uma peruca, Rosinete resolveu voltar para a escola, terminou o ensino fundamental e médio e chegou a se formar em pedagogia. Inspirações Kennya Silva com o diploma de graduação em letras - Kennya Silva / Arquivo pessoal Também na Região Norte, o programa Viva Maria garantiu visibilidade para o trabalho das parteiras no interior do Acre, como é o caso de Maria Zenaide Carvalho. "Lá no seringal, o rádio é o preferido. Nós parteiras do Acre e da Região Norte nos comunicamos por ele. O programa nos uniu.” Ela explica que a jornalista Mara Régia, a apresentadora do programa, sempre a inspirou. Inspirou também a trabalhadora rural Kennya Silva. "Seria um sonho que a Mara Régia lesse minha poesia, mas ela fez mais do que ler." Ao receber a carta, a produção do programa procurou Kennya para uma entrevista. Os pedidos de entrevistas chegavam também pelo apelo das ouvintes. A partir dali, Kennya voltou a estudar. Cursou letras, e o reconhecimento fez com que ela transformasse a vida. Do rádio, vinham músicas, informações, poesia e vida.

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